Encontro indigente

As lágrimas secas despencavam de seu rosto, na noite úmida e interminável.

Fracassada no descanso, não achava posição em sua cama de repousar. Foi quando avistou, da janela suicida, a mulher revirando na rua o lixo da madrugada. Mal vestida, procurava seu básico, aquela mulher ali, catando o lixo. Revestida de uma simplicidade estonteante: procurava o essencial no lixo da rua.

Como poderia estar aquela mulher ali, buscando algo, se lá de cima seus dejetos apodreciam-na por dentro?

Revirava-se sob o essencial para não largar seu lixo não perecível, enquanto a mulher tranquilamente revirava o lixo reciclável de sua existência.

Sandra N. Flanzer, a pa-lavra

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