Praga

Hoje, uma espécie de bicho
Me tomou, subiu pelo nicho
Um tipo assim bem nojento
Transportado pelo vento
Adentrou, subiu pela cama
Tendo asas e barbatana
Um tipo assim pegajoso
Infectando o espaço todo
Bicho de estirpe surreal
Contagiando o corpo total
Uma laia de inseto que gruda
Nos pés, nas mãos e na bunda
Que ilude, se finge de fraco
Mas ressurge do buraco
Aquele tipo legítimo de bicho
Que se nutre da falta e do lixo
Um tipo sem pena, que emana
Transformando o vazio em gana
E tanto agrada quanto engana:
Tipo a gente, quando ama.

Sandra N. Flanzer, inédito

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Certos insetos

Que venham as pulgas, as moscas e as vespas;
O piolho, o pernilongo e o percevejo.
Sejam bem-vindas todas as graúdas bestas
E as miúdas, que quase nunca vejo.

Adentrem na sala a barata e o gafanhoto,
Pelo friso da janela, agora aberto.
Que me invadam bichos vivos, e o morto,
Que me infecte todo e qualquer inseto.

Quero a traça traçando meu destino incerto,
Pousar no canto da cigarra e ser formiga,
Quero borboletear por aí, de peito aberto,
Ser abelhuda no veneno da mordida.

Liberem as pestes, que agora tudo é praga!
Entre minha aranha, carrapatos e mosquitos
Está aberta a peçonhenta temporada,
Quero meus grilos dando asas aos meus gritos.

Sandra N. Flanzer,  por um, segundo

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