Pudor

Ensina-me a amar.
Quero amor de todos os tipos, que vasta é minha gana de laço.
Não almejo ensinamento letrado, só letras soltas, alheias a mim.
Faze com que, se enlaçadas, formem ditos que façam o que eu faço.
Ensina-me a bordar o véu, ídolo da minha ausência, com fino cetim.
Se aspiro borda, conceda compaixão ao escutar minha impudência.
Ensina-me a namorar palavras, talhando-as soltas para o tempo.
Descubra-me no que tens revelado a-guardar como incumbência.
E onde enxergares pudor, do seu lado é por dor que estarei vendo.

Sandra N. Flanzer, a pa-lavra

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