Praga

Hoje, uma espécie de bicho
Me tomou, subiu pelo nicho
Um tipo assim bem nojento
Transportado pelo vento
Adentrou, subiu pela cama
Tendo asas e barbatana
Um tipo assim pegajoso
Infectando o espaço todo
Bicho de estirpe surreal
Contagiando o corpo total
Uma laia de inseto que gruda
Nos pés, nas mãos e na bunda
Que ilude, se finge de fraco
Mas ressurge do buraco
Aquele tipo legítimo de bicho
Que se nutre da falta e do lixo
Um tipo sem pena, que emana
Transformando o vazio em gana
E tanto agrada quanto engana:
Tipo a gente, quando ama.

Sandra N. Flanzer, inédito

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Frugal

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Quisera este amor fosse de rima fácil
Quisera fosse desembaraçado e hábil
Fio de seda sem enredo ou fastio
Quisera fosse a tempo, não tardio.

Quisera prescindisse de densa inscrição
Quisera fosse elevado e leve, leviano não,
Se te distraio, decerto não era intenção.
Apenas, quisera, este amor não fosse vão.

Sandra N. Flanzer, a pa-lavra

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