Pijama alinhavado

Deparou – mas não parou – ante a visão não costumeira da costureira que tecia belas roupas feitas para cobrir soberbamente as juntas de com quem, junta, mais lhe importava estar. Ora, pespontava-se assim a oportunidade dos sonhos: jamais teria outra chance de valer-se de tal proximidade indumentária. Além disso, finalmente aprenderia a tecer com as mãos, permitindo-se imitar, a dedo, no dedal, vestidos vestidos por quem tanto admirava.

Foi quando, entre a manifesta pergunta debaixo dos panos e a latente resposta despida de tecidos, viu despontar de dentro do quarto, sorrindo, quem tanto apreciava. Segurava sobre as palmas o destino endereçado. Feito era de leve fazenda, feito era de trama de repousar: um pijama alinhavado de presente. Nas entrelinhas, avistou adereço e endereço, e revestiu-se toda de cabida alegria.

‘Logo você, essa castanha despojada’ – dizia suave a voz, respirando sutil gracejo – ‘almejando trajes como os meus?’ E seu tom emaranhava assento, acentuando a mais caseira roupagem que se poderia coser. Caimento apropriado a compor novos feitios.

‘São vestígios de vestidos’, pensou. Feito vigília que se deita acolchoada: para o forro, não há desforra. Quem sabe um dia, vincos hão de vincular.

Sandra N.Flanzer, a pa-lavra

Email

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>